04. O diferencial da poliamida e os problemas do poliéster

Quem já passou uma madrugada inteira na pista sabe que a roupa pode ser sua melhor amiga ou a maior inimiga da noite, e quase sempre quem decide isso é o tecido, não o modelo. Na teoria, poliamida e poliéster parecem primos, os dois sintéticos e os dois com nome difícil, mas no corpo eles se comportam de jeitos bem diferentes.

A história da poliamida começou nos Estados Unidos, no fim dos anos 30, quando ela ainda se chamava nylon e virou febre em forma de meia-calça. Já o poliéster apareceu logo depois, na Inglaterra, e foi ganhando espaço até explodir nos anos 70, quando aquele brilho e aquela facilidade de lavar e não amassar dominaram as pistas de dança da época.

O que fez o poliéster crescer tanto foi o preço. Por ser barato de produzir, ele se tornou o tecido preferido das grandes redes, e hoje é a fibra mais fabricada do mundo, responsável por mais da metade de tudo que é produzido em tecido. Ou seja, é ele que sustenta as araras cheias de peças iguais que mudam toda semana.

Só que no calor a conta chega. O poliéster praticamente não absorve o suor, então a umidade fica parada na pele e a sensação é de estar dentro de um saquinho, além de a peça ir guardando o cheiro de lavagem em lavagem.

Com a poliamida a experiência muda: ela é mais leve, tem aquele toque macio quase de seda, absorve um pouco da umidade e seca rápido. Misturada com elastano, ela abraça o corpo, estica com o movimento e volta ao formato original, aguentando sol, poeira, horas de dança e ainda saindo da mochila sem amassado.

Vale lembrar que ela também é sintética e solta pequenas fibras quando vai pra máquina, então o cuidado faz diferença: lave do avesso, com água fria e deixe secar na sombra, assim a peça dura anos e o planeta agradece.